Visita ao Museu Nacional de Arte Antiga
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Os símbolos são um ancestral legado da humanidade. Os símbolos são singulares: estão lá, mas é fácil não os ver, um mesmo símbolo apresenta-se trabalhado em múltiplas formas, para uma mesma essência, são generosos nas mensagens despoletadas.
O nosso Mestre é um estudioso da simbologia nas diversas Civilizações e transmite esse conhecimento aos seus discípulos, convida e sugere visitas a museus, igrejas ou a locais na natureza para “lermos” o símbolo no seu contexto, já que um símbolo tanto figura com simplicidade numa rocha solitária, como numa obra-prima.
No Museu Nacional de Arte Antiga, inserido na temática “Primitivos Portugueses (1450-1550) - o século de Nuno Gonçalves” encontram-se os Painéis de São Vicente, obra de referência deste museu.
Eis o que o Mestre João Camacho sugeriu que observássemos neste quadro:
É conhecido como os painéis de São Vicente de Fora. Todavia, o seu nome é, em rigor, Retábulo da investidura da nação pelo Espírito Santo. Apenas referirei, brevemente, um dos painéis. Esse é o painel da Iniciação dos Cavaleiros, apesar de ser conhecido como o painel do Arcebispo. Poderão nele observar que o iniciador, em pé tem uma vara dourada (símbolo do poder esotérico), assim como, um livro fechado, símbolo do conhecimento hermético. O cavaleiro ajoelhado transporta uma lança, símbolo de Lancelot – o rapaz da lança - mas também de Parsifal, o mais puro de todos os cavaleiros da Távola Redonda. O que, no fim, consegue a lança que dá a vida. Na parte de baixo do quadro encontra-se uma corda, símbolo de uma corrente, neste caso a que une os iniciados, a que une os cavaleiros – monges guerreiros. Mas, o que mais surpreende, é que, também neste quadro, encontramos o laço de Ísis. Vejam no braço do cavaleiro ajoelhado, um cordel a envolver-lhe o braço e a formar um nó – o laço de Ísis. Este laço tem um profundo significado. É um símbolo da energia primordial que une todas as coisas. Mas também remete para a memória do esforço de Ísis em reunir todos os pedaços do corpo do seu amado Osíris. Como creio que já vos referi, Osíris teve o corpo retalhado e os vários pedaços do seu corpo espalhados por todo o Egipto, para que não se pudesse recompor e ressuscitar. Este laço simboliza também o caminho a percorrer pelo ser humano para transcender a condição humana. Chevalier e Gheerbrant, no livro Dicionário dos Símbolos, referem, acerca de Ísis, o seguinte:
Efectivamente, tanto no Médio Oriente, como na Grécia e em Roma, e em toda a bacia mediterrânica, Ísis foi adorada como a deusa suprema e universal. (...) em todos os círculos esotéricos ela é considerada como a Iniciadora, aquela que detém o segredo da vida, da morte e da ressurreição. A cruz asnada (ankh) ou o nó de Ísis são os símbolos dos seus poderes infinitos. Nas religiões mistéricas dos primeiros séculos da nossa era, Ísis encarnou o princípio feminino, fonte mágica de toda a fecundidade e de toda a transformação.
Nos painéis de São Vicente sobressaem as cores vermelha e dourada no traje do arcebispo e de outras personagens, estas cores predominam também nas tapeçarias expostas no mesmo piso dedicadas às conquistas africanas de D. Afonso V, simbolizando a glória de um rei e do seu povo.
SwáSthya
Cristina Pires
Discípula de João Camacho, Yôgachárya

